//
Como entrevistar denunciante e denunciado

Como Entrevistar Denunciante Sem Cometer Erros

A forma como o investigador conduz uma entrevista pode determinar o sucesso ou o fracasso de toda a apuração. Saber como entrevistar denunciante e denunciado corretamente é o que separa uma investigação sólida de um processo vulnerável a contestação judicial.

Resposta direta: entrevistar denunciante e denunciado exige técnicas distintas para cada perfil, ambiente controlado, perguntas abertas e neutras, registro fiel do depoimento e garantia do direito de resposta do acusado. O objetivo é obter fatos, não confirmar suposições.

Este é o quarto episódio da nossa série sobre investigação interna. Assista ao vídeo completo:

O Cenário Atual e as Exigências Legais

Com a Lei nº 14.457/2022 e a atualização da NR-1, empresas precisam comprovar que conduziram a apuração de forma técnica e imparcial. A entrevista é o momento mais sensível desse processo, pois qualquer condução inadequada pode ser usada para anular todo o trabalho.

Além disso, a LGPD (Lei 13.709/2018) exige cuidado redobrado com os dados sensíveis compartilhados durante a entrevista, já que relatos de assédio frequentemente envolvem informações íntimas que precisam de tratamento restrito.

Diferenças entre entrevistar o denunciante e o denunciado

O denunciante precisa de um ambiente de acolhimento e sigilo reforçado, sem induzir respostas. Já o denunciado tem direito ao contraditório: precisa saber, de forma geral, do que está sendo acusado e ter espaço real para se manifestar, sem isso a apuração fica vulnerável.

Consequências Práticas e Financeiras do Improviso

Entrevistas mal conduzidas geram dois riscos imediatos. Primeiro, perguntas indutivas ou tendenciosas contaminam o relato e enfraquecem seu valor como prova. Segundo, a ausência de espaço de defesa para o denunidado é motivo recorrente de nulidade em ações trabalhistas.

Isso significa que, mesmo diante de uma denúncia grave e verdadeira, um erro na entrevista pode inviabilizar a punição do responsável e ainda gerar passivo para a empresa, incluindo indenização ao próprio denunciado por condução inadequada.

AspectoEntrevista com DenuncianteEntrevista com Denunciado
AmbienteSigiloso, acolhedorFormal, com direito de acompanhante se aplicável
Tipo de perguntaAberta, sem induzirDireta, mas sem acusação prévia
RegistroAta fiel ao relatoAta com espaço para manifestação
Cuidado principalEvitar revitimizaçãoGarantir contraditório

Como Estruturar o Processo do Jeito Certo

Antes de qualquer entrevista, o investigador deve preparar um roteiro com perguntas neutras, evitando termos que sugiram culpa antecipada. Durante a conversa, é importante deixar a pessoa falar livremente antes de aprofundar pontos específicos.

Depois da entrevista, o relato deve ser registrado o mais próximo possível das palavras originais, sem interpretações do investigador. Esse cuidado evita que a ata seja contestada posteriormente por distorção do depoimento.

Recomendamos also revisar o artigo sobre erros que invalidam uma investigação, que detalha outras falhas comuns nesse processo.

O papel do investigador imparcial

Sempre que possível, a entrevista deve ser conduzida por alguém sem relação hierárquica direta com nenhuma das partes. Isso reduz o risco de viés e fortalece a credibilidade do processo diante de qualquer questionamento futuro.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O denunciado pode se recusar a ser entrevistado?

Pode se recusar a falar, mas a empresa deve registrar formalmente essa recusa e seguir com a apuração baseada nas demais provas disponíveis.

2. É permitido gravar a entrevista?

Sim, desde que a pessoa seja informada e, preferencialmente, consinta com o registro, respeitando as diretrizes da LGPD sobre tratamento de dados.

3. Quantas entrevistas são necessárias?

Depende do caso. Geralmente, além de denunciante e denunciado, testemunhas indicadas por ambos também devem ser ouvidas para uma apuração completa.

Conduza Entrevistas com Segurança Jurídica

Entrevistar denunciante e denunciado corretamente exige técnica, neutralidade e domínio das exigências legais. Um passo em falso nessa etapa pode comprometer toda a investigação.

A Easy Report, da Compliance for Business, conduz entrevistas e investigações corporativas terceirizadas com metodologia validada. Fale com um especialista antes da próxima apuração. Acompanhe mais conteúdos no canal da Compliance for Business no YouTube.

Autor

Picture of Matheus Lang

Matheus Lang

Acadêmico de Psicologia e especialista em LGPD pela EXIN. Especializado em Compliance pela KPMG Business School. Participa ativamente em diversos projetos de adequação em empresas com operações nacionais e internacionais.

Outros conteúdos

Preencha o formulário abaixo para ter acesso gratuito ao Ebook