Publicado em 28/08/2026
A forma como o investigador conduz uma entrevista pode determinar o sucesso ou o fracasso de toda a apuração. Saber como entrevistar denunciante e denunciado corretamente é o que separa uma investigação sólida de um processo vulnerável a contestação judicial.
Resposta direta: entrevistar denunciante e denunciado exige técnicas distintas para cada perfil, ambiente controlado, perguntas abertas e neutras, registro fiel do depoimento e garantia do direito de resposta do acusado. O objetivo é obter fatos, não confirmar suposições.
Este é o quarto episódio da nossa série sobre investigação interna. Assista ao vídeo completo:
O Cenário Atual e as Exigências Legais
Com a Lei nº 14.457/2022 e a atualização da NR-1, empresas precisam comprovar que conduziram a apuração de forma técnica e imparcial. A entrevista é o momento mais sensível desse processo, pois qualquer condução inadequada pode ser usada para anular todo o trabalho.
Além disso, a LGPD (Lei 13.709/2018) exige cuidado redobrado com os dados sensíveis compartilhados durante a entrevista, já que relatos de assédio frequentemente envolvem informações íntimas que precisam de tratamento restrito.
Diferenças entre entrevistar o denunciante e o denunciado
O denunciante precisa de um ambiente de acolhimento e sigilo reforçado, sem induzir respostas. Já o denunciado tem direito ao contraditório: precisa saber, de forma geral, do que está sendo acusado e ter espaço real para se manifestar, sem isso a apuração fica vulnerável.
Consequências Práticas e Financeiras do Improviso
Entrevistas mal conduzidas geram dois riscos imediatos. Primeiro, perguntas indutivas ou tendenciosas contaminam o relato e enfraquecem seu valor como prova. Segundo, a ausência de espaço de defesa para o denunidado é motivo recorrente de nulidade em ações trabalhistas.
Isso significa que, mesmo diante de uma denúncia grave e verdadeira, um erro na entrevista pode inviabilizar a punição do responsável e ainda gerar passivo para a empresa, incluindo indenização ao próprio denunciado por condução inadequada.
| Aspecto | Entrevista com Denunciante | Entrevista com Denunciado |
|---|---|---|
| Ambiente | Sigiloso, acolhedor | Formal, com direito de acompanhante se aplicável |
| Tipo de pergunta | Aberta, sem induzir | Direta, mas sem acusação prévia |
| Registro | Ata fiel ao relato | Ata com espaço para manifestação |
| Cuidado principal | Evitar revitimização | Garantir contraditório |
Como Estruturar o Processo do Jeito Certo
Antes de qualquer entrevista, o investigador deve preparar um roteiro com perguntas neutras, evitando termos que sugiram culpa antecipada. Durante a conversa, é importante deixar a pessoa falar livremente antes de aprofundar pontos específicos.
Depois da entrevista, o relato deve ser registrado o mais próximo possível das palavras originais, sem interpretações do investigador. Esse cuidado evita que a ata seja contestada posteriormente por distorção do depoimento.
Recomendamos also revisar o artigo sobre erros que invalidam uma investigação, que detalha outras falhas comuns nesse processo.
O papel do investigador imparcial
Sempre que possível, a entrevista deve ser conduzida por alguém sem relação hierárquica direta com nenhuma das partes. Isso reduz o risco de viés e fortalece a credibilidade do processo diante de qualquer questionamento futuro.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O denunciado pode se recusar a ser entrevistado?
Pode se recusar a falar, mas a empresa deve registrar formalmente essa recusa e seguir com a apuração baseada nas demais provas disponíveis.
2. É permitido gravar a entrevista?
Sim, desde que a pessoa seja informada e, preferencialmente, consinta com o registro, respeitando as diretrizes da LGPD sobre tratamento de dados.
3. Quantas entrevistas são necessárias?
Depende do caso. Geralmente, além de denunciante e denunciado, testemunhas indicadas por ambos também devem ser ouvidas para uma apuração completa.
Conduza Entrevistas com Segurança Jurídica
Entrevistar denunciante e denunciado corretamente exige técnica, neutralidade e domínio das exigências legais. Um passo em falso nessa etapa pode comprometer toda a investigação.
A Easy Report, da Compliance for Business, conduz entrevistas e investigações corporativas terceirizadas com metodologia validada. Fale com um especialista antes da próxima apuração. Acompanhe mais conteúdos no canal da Compliance for Business no YouTube.







